Jornal dos Filhos da Caridade, editado pela Fraternidade Anizan
Domingo, 6 de Fevereiro de 2011
A minha experiência de oração como noviço

Minha caminhada cristã muitas das vezes é difícil de separá-la da minha vida como imigrante, porque toda a minha experiência de oração começou a desenrolar-se quando cheguei a Portugal há dez anos.

Mas, essa experiência não era propriamente algo apaixonante, se não mesmo uma forma de afastar a solidão do meu caminho. Durante esses longos dez anos de imigração, a oração tem me acompanhado em todos os momentos da minha vida. Ela tem sido a bússola que me tem orientado e guiado.

 

Até à minha entrada no Instituto dos Filhos da Caridade, a minha oração era na sua génese uma oração pessoal, só minha. Era mais algo que me lembrava que há alguém a olhar para mim. Esse alguém a quem posso recorrer em qualquer momento e circunstância de vida e Ele estaria ali para me escutar.”Deus ouve-nos?” Perguntou uma criança de meu grupo de catequese. Sim, Ele nos ouve.

Engraçada, porque eu também até aquele dia tinha uma pequena dúvida se realmente Deus nos ouvia. Eu não tenho dúvidas de que Deus nos ouve, mas é verdade que é difícil escutar a voz de Deus.

 

Estamos entrincheirados num universo imbuído de certos sons que acabam por abafar a voz de Deus. Diz a Sagrada Escritura que Deus fala no silêncio e a verdade.

 

O noviciado tem-me ajudado a fazer esta experiência mística do silêncio, onde Deus me fala e eu falo com Ele.

A oração enquanto rede magnética que nos liga ao Pai Celeste tem exercido uma mudança mágica na minha vida. A oração de Laudes com um tempo de meditação, logo pela manhã, tem servido de uma boa refeição para o começo do dia. Aí, com a comunidade, encontro-me com Jesus Cristo, o Mestre e a Ele, elevo todas as minhas angústias, inquietações e a minha intercessão pelo povo.

Nesta caminhada de noviciado, é na Adoração ao Santíssimo que mais me sinto tocado. Ver e sentir com os sentidos da fé, a majestosa presença de Cristo, é realmente magnífico.

 

A Eucaristia diária também me tem ajudado a compreender o mistério escondido no partir do pão e na transformação do vinho em sangue de Cristo. Aí a Santíssima Trindade se faz presente e toma parte da nossa vida. É o próprio Deus assumindo a condição humana.

Apesar das dificuldades sentidas no início, a oração tem vindo a ocupar um lugar primordial na minha vida e creio que continuará a ocupar.

Pequi (Noviço Filhos da Caridade) Jan 2011



publicado por apartilha às 16:07
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