Jornal dos Filhos da Caridade, editado pela Fraternidade Anizan
Domingo, 6 de Fevereiro de 2011
Apelo do amor

 

Falar na decisão de adoptar é falar da necessidade de amar incondicionalmente, numa entrega verdadeira e genuína. Foi com este espírito, e depois de muito ponderar, que nos lançámos nesta aventura que nos virou a vida de pernas para o ar, mas também nos deu a oportunidade de olhar mais para o outro, deixando para mais tarde os nossos afazeres pessoais e as nossas preocupações.

Jamais nos arrependeremos da decisão tomada, antes pelo contrário, nada nos faria voltar atrás. Os outros olham-nos com admiração e felicitam a nossa coragem. Não foi um acto de coragem, mas sim uma dádiva de Deus, que estará sempre ao nosso lado nesta importante tarefa de pais e educadores, tentando ser exemplos de vida para as nossas duas lindas filhas.
Tudo começou no dia 13 de Outubro de 2006, data em que entregámos na Segurança Social de Setúbal os questionários individuais de candidatos à adopção.

Passada a primeira visita domiciliária e consequente definição de objectivos restava-nos esperar que os técnicos analisassem o nosso processo, para que nos pudesse ser passado o «Certificado de Selecção de Candidato a Adoptante», documento que recebemos 5 meses depois. A partir deste momento começou uma longa e penosa espera de dois anos em que a todo o momento ansiávamos por um contacto.

Durante todo esse tempo fomos percebendo como era importante conhecer as pessoas certas, que nos pudessem ajudar e tornar a espera menos longa. Alguns contactos foram surgindo.

 Não podemos esquecer alguns amigos que prontamente se ofereceram para nos ajudar. Há um amigo especial que vamos para sempre guardar no nosso coração, o Padre Zé Manel (que mais tarde as baptizou!...), que nunca nos esqueceu neste momento tão difícil das nossas vidas. Hoje estamos certos que foi graças à sua força e ajuda que trouxemos para casa as nossas duas queridas filhas.

Dois anos depois somos então chamados à Segurança Social para consultar o processo das meninas, a mais velhinha tinha tido uma vida difícil, nada que muito amor e um grande colo não superassem. O processo não tinha fotos, mas isso não nos impediu de dizer SIM…. Estávamos decididos… aquelas meninas eram as nossas filhas.

Durante o tempo de espera, o Senhor deu-nos o privilégio de peregrinar rumo à Terra Santa. Foi uma viagem que jamais esqueceremos. Falamos desta viagem porque hoje sabemos que foi dela que trouxemos o sinal que iríamos ser pais.

Houve dois lugares que nos marcaram profundamente. Um foi a basílica da anunciação, local onde o coração de Maria recebeu a noticia que iria ser mãe do Salvador, local onde as nossas filhas nasceram no coração do pai. O outro lugar que muito nos marcou foi o muro das lamentações em Jerusalém, onde um simples pedido da mãe, enrolado num pequeno pedaço de papel, se transformou num silencio e numa força que só ela sentiu, como se mais ninguém estivesse à sua volta.

Foi mais tarde que compreendemos estes sinais, quando no mês de Junho desse mesmo ano recebemos a resposta da Segurança social e vimos pela primeira vez, com os olhos rasos de água, as fotos das nossas lindas filhas.

Hoje olhamos para elas e sabemos que, nelas, estamos a ver o verdadeiro rosto de Deus . Estamos felizes e essa felicidade é a quatro, em família unida para o que der e vier.

MariaJosé e António, Fraternidade Anizan, Jan 2010

 



publicado por apartilha às 16:26
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