Jornal dos Filhos da Caridade, editado pela Fraternidade Anizan

Domingo, 6 de Fevereiro de 2011
Una paixão: Acompanhar o povo até à vida eterna

Padre Anizan é filho da Igreja do final do século XIX. É evidente que na sua família, no Seminário menor e no Seminário de Paris, se insiste no medo à condenação eterna.

 

Falando da evangelização e da libertação do povo, fala muito da vida eterna. Numa longa oração do ano 1884 expressa-se assim:

“Todo para procurar a vida eterna para as almas. Rezar, sacrificar-me, quero ser operário da vida eterna”.

 

Padre Anizan tem uma inteligência cordial, hoje diríamos emotiva. Diante da grande miséria, diante do sofrimento do povo trabalhador do século XIX e principalmente do século XX, crê profundamente que Deus  fará justiça a todos os pobres do mundo.

O pensamento evangélico de Padre Anizan fundamenta-se na compaixão de Jesus. Jesus teve compaixão da multidão.

Há um acontecimento que dá sentido à história e ordena o caos da injustiça: a chegada do Reino de Deus, a Ressurreição de Jesus. Padre Anizan crê profundamente na vida eterna e na transfiguração definitiva do mundo.

 

A sua vida de apostolado é intensa. A sua paixão pelo povo trabalhador e todos os desfavorecidos dar-lhe-á força, ilusão, perseverança para levar adiante um projecto de evangelização que suscita na Congregação uma rejeição violenta. Nos piores momentos da sua vida, quando outro humanamente já teria renunciado, ele levanta-se de novo e prossegue o seu compromisso com o povo, de tal maneira que na Igreja nasça uma família religiosa que ponha como prioridade a evangelização do mundo operário através da paróquia em meio operário e das obras.

A sua fidelidade, a sua tenacidade, é a de um homem que leva em si uma força interior imensa. Padre Anizan crê na eficácia da evangelização do povo.

 

A fidelidade às profundas convicções do seu coração, levou Anizan a sentar-se, como seu Mestre, à mesa dos pecadores e aceitou derramar no seu coração muitas lágrimas. Mas, graças à ajuda de alguns dos seus irmãos da Congregação e do seu director espiritual, descobre nele a força invencível do Cristo Ressuscitado.

 

Há que preparar o Reino de Deus. Para ele, a salvação eterna e a transformação do mundo caminham juntas. No trabalho pelo Reino, somos somente os servidores pobres e purificados pelo Deus Crucificado e Ressuscitado.

Extractos da vida do Padre Anizan condensado por Pequi, noviço FC, Jan 2011

 



publicado por apartilha às 16:10
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A minha experiência de oração como noviço

Minha caminhada cristã muitas das vezes é difícil de separá-la da minha vida como imigrante, porque toda a minha experiência de oração começou a desenrolar-se quando cheguei a Portugal há dez anos.

Mas, essa experiência não era propriamente algo apaixonante, se não mesmo uma forma de afastar a solidão do meu caminho. Durante esses longos dez anos de imigração, a oração tem me acompanhado em todos os momentos da minha vida. Ela tem sido a bússola que me tem orientado e guiado.

 

Até à minha entrada no Instituto dos Filhos da Caridade, a minha oração era na sua génese uma oração pessoal, só minha. Era mais algo que me lembrava que há alguém a olhar para mim. Esse alguém a quem posso recorrer em qualquer momento e circunstância de vida e Ele estaria ali para me escutar.”Deus ouve-nos?” Perguntou uma criança de meu grupo de catequese. Sim, Ele nos ouve.

Engraçada, porque eu também até aquele dia tinha uma pequena dúvida se realmente Deus nos ouvia. Eu não tenho dúvidas de que Deus nos ouve, mas é verdade que é difícil escutar a voz de Deus.

 

Estamos entrincheirados num universo imbuído de certos sons que acabam por abafar a voz de Deus. Diz a Sagrada Escritura que Deus fala no silêncio e a verdade.

 

O noviciado tem-me ajudado a fazer esta experiência mística do silêncio, onde Deus me fala e eu falo com Ele.

A oração enquanto rede magnética que nos liga ao Pai Celeste tem exercido uma mudança mágica na minha vida. A oração de Laudes com um tempo de meditação, logo pela manhã, tem servido de uma boa refeição para o começo do dia. Aí, com a comunidade, encontro-me com Jesus Cristo, o Mestre e a Ele, elevo todas as minhas angústias, inquietações e a minha intercessão pelo povo.

Nesta caminhada de noviciado, é na Adoração ao Santíssimo que mais me sinto tocado. Ver e sentir com os sentidos da fé, a majestosa presença de Cristo, é realmente magnífico.

 

A Eucaristia diária também me tem ajudado a compreender o mistério escondido no partir do pão e na transformação do vinho em sangue de Cristo. Aí a Santíssima Trindade se faz presente e toma parte da nossa vida. É o próprio Deus assumindo a condição humana.

Apesar das dificuldades sentidas no início, a oração tem vindo a ocupar um lugar primordial na minha vida e creio que continuará a ocupar.

Pequi (Noviço Filhos da Caridade) Jan 2011



publicado por apartilha às 16:07
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