Jornal dos Filhos da Caridade, editado pela Fraternidade Anizan

Domingo, 6 de Fevereiro de 2011
Vai, anuncia o Evangelho aos pobres

É com grande alegria e satisfação que nesta altura os elementos do grupo da Fraternidade Anizan do Barreiro olham para o presente e futuro! Após o enraizamento das principais estruturas deste grupo, começa agora uma nova fase em que todos estamos expectantes com os projectos definidos para este ano, os quais reflectem a realidade das ambições e vontades que entre nós se partilham.

 

Tal como a mensagem que o Padre Anizan nos deixou pelas suas experiências e pela sua dedicação a nobres e justas causas, também o nosso grupo tem preocupação e desejo de ajudar aqueles que, quer no espírito interior, quer no seio das comunidades onde se encontram inseridos, estão de facto bastante debilitados, descrentes, ignorados ou afastados, sujeitos a descaminhos, vulneráveis no seu espírito e vulneráveis a uma sociedade que os tende a afastar ou simplesmente ignorar.  

 

Falemos desses projectos, da forma como pretendemos realizá-los e a quem se dirigem. Qual a mensagem ou mensagens que com este projecto, queremos transmitir?

Numa primeira fase a nossa acção vai desenvolver-se em palestras realizadas em escolas para crianças e jovens, abordando assuntos de responsabilidade social, como sejam a delinquência, a toxicodependência, a violência infantil e juvenil, a prostituição, o abandono escolar e o bulling.

As nossas crianças e jovens são todos os dias confrontados com estas situações, mas nem sempre, ou na maioria das vezes, têm oportunidade de os abordar com pais ou outros adultos, dado o ritmo a que hoje todos somos sujeitos.

Com estas palestras pretendemos esclarecê-los, alertá-los, ouvi-los e ajudá-los a dar-lhes uma orientação para a vida, que não passe por experiências negativas e desenvolver-lhes a sua responsabilidade social para consigo, com os outros e com o meio que os envolve.

Outro dos grupos a que dedicaremos uma especial atenção são os idosos, estando programados encontros convívio para abordar temas relativos à sua segurança, quando estão em casa, muitas vezes passando grande parte do dia sozinhos, sujeitos aos mais diversos perigos que conhecemos, como é o caso dos burlões que usam das melhores argumentações apenas com a finalidade de extorquir valores materiais. Também na rua tentam das mais variadas formas ludibriar e recolher informações preciosas para uso e abuso destas vítimas mais frágeis e fáceis de alcançar.

Estes encontros têm também o objectivo de ultrapassar alguma solidão a que este grupo etário muitas vezes é deixado, muitas das vezes até pelas próprias famílias.

Estas palestras e encontros são suportados por alguma informação fornecida em parceria pela GNR procurando chegar a um maior número de pessoas que delas necessitem, pois a nossa grande preocupação é chegar mais perto destes “pobres” rejeitados e muitas vezes marginalizados pela própria sociedade que não os sabe educar e acolher.

Tal como nos transmitiu Anizam, também nós pedimos ao Senhor Nosso Deus que nos coloque no caminho daqueles que precisam de apoio, amparo e amor.

Henrique, Fraternidade Anizan, Jan 2011

 



publicado por apartilha às 16:39
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Apelo do amor

 

Falar na decisão de adoptar é falar da necessidade de amar incondicionalmente, numa entrega verdadeira e genuína. Foi com este espírito, e depois de muito ponderar, que nos lançámos nesta aventura que nos virou a vida de pernas para o ar, mas também nos deu a oportunidade de olhar mais para o outro, deixando para mais tarde os nossos afazeres pessoais e as nossas preocupações.

Jamais nos arrependeremos da decisão tomada, antes pelo contrário, nada nos faria voltar atrás. Os outros olham-nos com admiração e felicitam a nossa coragem. Não foi um acto de coragem, mas sim uma dádiva de Deus, que estará sempre ao nosso lado nesta importante tarefa de pais e educadores, tentando ser exemplos de vida para as nossas duas lindas filhas.
Tudo começou no dia 13 de Outubro de 2006, data em que entregámos na Segurança Social de Setúbal os questionários individuais de candidatos à adopção.

Passada a primeira visita domiciliária e consequente definição de objectivos restava-nos esperar que os técnicos analisassem o nosso processo, para que nos pudesse ser passado o «Certificado de Selecção de Candidato a Adoptante», documento que recebemos 5 meses depois. A partir deste momento começou uma longa e penosa espera de dois anos em que a todo o momento ansiávamos por um contacto.

Durante todo esse tempo fomos percebendo como era importante conhecer as pessoas certas, que nos pudessem ajudar e tornar a espera menos longa. Alguns contactos foram surgindo.

 Não podemos esquecer alguns amigos que prontamente se ofereceram para nos ajudar. Há um amigo especial que vamos para sempre guardar no nosso coração, o Padre Zé Manel (que mais tarde as baptizou!...), que nunca nos esqueceu neste momento tão difícil das nossas vidas. Hoje estamos certos que foi graças à sua força e ajuda que trouxemos para casa as nossas duas queridas filhas.

Dois anos depois somos então chamados à Segurança Social para consultar o processo das meninas, a mais velhinha tinha tido uma vida difícil, nada que muito amor e um grande colo não superassem. O processo não tinha fotos, mas isso não nos impediu de dizer SIM…. Estávamos decididos… aquelas meninas eram as nossas filhas.

Durante o tempo de espera, o Senhor deu-nos o privilégio de peregrinar rumo à Terra Santa. Foi uma viagem que jamais esqueceremos. Falamos desta viagem porque hoje sabemos que foi dela que trouxemos o sinal que iríamos ser pais.

Houve dois lugares que nos marcaram profundamente. Um foi a basílica da anunciação, local onde o coração de Maria recebeu a noticia que iria ser mãe do Salvador, local onde as nossas filhas nasceram no coração do pai. O outro lugar que muito nos marcou foi o muro das lamentações em Jerusalém, onde um simples pedido da mãe, enrolado num pequeno pedaço de papel, se transformou num silencio e numa força que só ela sentiu, como se mais ninguém estivesse à sua volta.

Foi mais tarde que compreendemos estes sinais, quando no mês de Junho desse mesmo ano recebemos a resposta da Segurança social e vimos pela primeira vez, com os olhos rasos de água, as fotos das nossas lindas filhas.

Hoje olhamos para elas e sabemos que, nelas, estamos a ver o verdadeiro rosto de Deus . Estamos felizes e essa felicidade é a quatro, em família unida para o que der e vier.

MariaJosé e António, Fraternidade Anizan, Jan 2010

 



publicado por apartilha às 16:26
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Um caminho a percorrer

Estou no Instituto dos Filhos da Caridade há cinco meses. Iniciei o Postulantado no dia um de Dezembro de 2010.

Embora seja ainda cedo para fazer uma avaliação sobre estes meses no Instituto, posso dizer que tem sido muito boa esta minha experiência vocacional, tanto a nível pessoal como espiritual.

 

Tomar a decisão de entrar no Seminário não foi uma decisão difícil, porque já alguns meses, antes de entrar, sentia dentro de mim uma vontade enorme de entrar numa casa de formação. Por várias ocasiões o Padre Valdemar fez-me o convite de fazer uma experiência vocacional no Instituto dos Filhos da Caridade, mas a resposta da minha parte nunca chegou a ser positiva, recusando sempre.

 

No grupo de jovens para o Crisma, no qual eu fazia parte, várias vezes a catequista dizia: “eu rezo todos os dias para que saia um sacerdote aqui do nosso grupo”, e eu, como todos, ria-me sem dar muita importância ao que ela dizia.

 

Com o passar do tempo, conhecendo diversos sacerdotes, fizeram despertar em mim a importância e quão é belo o serviço que desenvolvem dentro e fora da Igreja e de certa forma o facto de pertencer ao grupo de acólitos da Paroquia, ajudou-me a estar mais perto de Cristo e de senti-lo de uma forma muito diferente.

 

Em Setembro, o Padre Valdemar voltou a fazer o convite se não gostaria de fazer a experiência de viver um tempo, em comunidade e aí fazer o discernimento vocacional.

 

Pensei que era o momento de dar esse novo passo na minha vida, mas ainda tinha uma certa vergonha do que as pessoas, ou amigos que conheço, achariam, o que iriam dizer a respeito desta decisão.

 

Actualmente esta vergonha e medo desapareceram, estou feliz pela decisão que tomei e espero que se mantenha para sempre.

 

Quero agradecer a Deus pelas graças recebidas, por tudo o que tem feito em mim, à minha mãe pelo apoio, conforto e ânimo que me dá, aos amigos que me respeitam e admiram esta minha decisão, e à comunidade do Lavradio.

Lázaro Martins (Postulante nos Filhos da Caridade) Jan 2011



publicado por apartilha às 16:17
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A minha experiência de oração como noviço

Minha caminhada cristã muitas das vezes é difícil de separá-la da minha vida como imigrante, porque toda a minha experiência de oração começou a desenrolar-se quando cheguei a Portugal há dez anos.

Mas, essa experiência não era propriamente algo apaixonante, se não mesmo uma forma de afastar a solidão do meu caminho. Durante esses longos dez anos de imigração, a oração tem me acompanhado em todos os momentos da minha vida. Ela tem sido a bússola que me tem orientado e guiado.

 

Até à minha entrada no Instituto dos Filhos da Caridade, a minha oração era na sua génese uma oração pessoal, só minha. Era mais algo que me lembrava que há alguém a olhar para mim. Esse alguém a quem posso recorrer em qualquer momento e circunstância de vida e Ele estaria ali para me escutar.”Deus ouve-nos?” Perguntou uma criança de meu grupo de catequese. Sim, Ele nos ouve.

Engraçada, porque eu também até aquele dia tinha uma pequena dúvida se realmente Deus nos ouvia. Eu não tenho dúvidas de que Deus nos ouve, mas é verdade que é difícil escutar a voz de Deus.

 

Estamos entrincheirados num universo imbuído de certos sons que acabam por abafar a voz de Deus. Diz a Sagrada Escritura que Deus fala no silêncio e a verdade.

 

O noviciado tem-me ajudado a fazer esta experiência mística do silêncio, onde Deus me fala e eu falo com Ele.

A oração enquanto rede magnética que nos liga ao Pai Celeste tem exercido uma mudança mágica na minha vida. A oração de Laudes com um tempo de meditação, logo pela manhã, tem servido de uma boa refeição para o começo do dia. Aí, com a comunidade, encontro-me com Jesus Cristo, o Mestre e a Ele, elevo todas as minhas angústias, inquietações e a minha intercessão pelo povo.

Nesta caminhada de noviciado, é na Adoração ao Santíssimo que mais me sinto tocado. Ver e sentir com os sentidos da fé, a majestosa presença de Cristo, é realmente magnífico.

 

A Eucaristia diária também me tem ajudado a compreender o mistério escondido no partir do pão e na transformação do vinho em sangue de Cristo. Aí a Santíssima Trindade se faz presente e toma parte da nossa vida. É o próprio Deus assumindo a condição humana.

Apesar das dificuldades sentidas no início, a oração tem vindo a ocupar um lugar primordial na minha vida e creio que continuará a ocupar.

Pequi (Noviço Filhos da Caridade) Jan 2011



publicado por apartilha às 16:07
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Domingo, 30 de Janeiro de 2011
Seguir Cristo como um peregrino

Toda a história de Israel é marcada pelo acto de caminhar: Abraão deve deixar sua própria terra; o povo escravo no Egipto caminha por mais de quarenta anos através do deserto; o próprio Yalweh é percebido como uma presença intima e móvel. Mais tarde, as celebrações rituais retomam o tema do êxodo transformando-o em peregrinação.


No Novo Testamento, Jesus é o peregrino que não somente participa da peregrinação ao templo, mas que faz de toda a sua vida uma longa peregrinação para Jerusalém, onde será preso e crucificado. Aos discípulos é pedido que percorram o mesmo caminho até o sofrimento e morte. A experiência da morte e da ressurreição de Jesus converterá os peregrinos galileus amedrontados (Mc. 14,27) em verdadeiros missionários que vão para toda a parte (Mc. 16,20). E é através do seguimento de Jesus que os missionários vão se fazendo discípulos do Mestre.


Seguir Cristo como peregrino, é desinstalar-se; é fazer da vida um contínuo deslocar-se de um lugar para outro, solidarizando-se com os desenraizados e migrantes; é tornar-se um companheiro na busca de uma morada. Mas, ainda mais, o que segue Cristo como peregrino, aponta para outra morada “porque não temos aqui cidade permanente, mas estamos à procura da cidade que está para vir” (Heb. 13,14)

O tema do enraizamento e do desenraizamento e, ao mesmo tempo, a vida presente e aquela que deve vir, representam uma tensão que gera a missão. O caminho missionário acontece propriamente nessa tensão constante entre o presente e o futuro.


A espiritualidade do peregrino é caracterizada por uma peregrinação em busca de uma morada definitiva. É um deslocar-se constantemente para buscar o definitivo, superando o provisório, o efémero, o limitado e o temporário. A história da missão e dos que querem seguir Cristo representa uma epopeia de andança e de movimento de pés que se deslocam entre trilhas e veredas, em florestas, em morros enlameados. È um caminho de encontro com culturas e religiões, as mais diversas possíveis, apontando para além dos horizontes. “Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda a criatura”. (Mc. 16,15) Representa sempre uma busca e traduz-se em encontros: o encontro com Deus e o encontro dos irmãos.


O peregrino não leva nada consigo, somente o essencial. Uma sacola, uma roupa e um bastão, são o suficiente. Há peregrinos no mundo todo que dependem do apoio e da bondade das pessoas. Há peregrinos urbanos que, nas grandes megalópoles, se solidarizam com os despossuidos e põe suas energias ao serviço da vida. É preciso andar sem parar nunca, deslocar-se a procura do absoluto e na realização do projecto de Deus.

Tu Jovem! Não queres fazer esta peregrinação ? É uma aventura que vale a pena apostar nela.

Padre Valdemar (Filhos da Caridade) Jan 2011



publicado por apartilha às 00:22
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